Vi muita gente fazendo suas playlists de 2011 e fiquei pensando muito nisso durante a leitura delas. Muitos amigos, e muita gente que não conheço fez suas listas de melhores e piores lançamentos do ano. Mas olhando e depois ouvindo as escolhas alheias, senti que não fiquei contente com tudo o que tinha lido e ouvido, e por isso resolvi num acesso de empolgação, escrever minha própria lista (ok, não sou tão original assim!).
A ordem não tem relação nenhuma com uma nota de melhor ou pior, é por ordem de lembrança mesmo. E nem é a intenção de colocar os piores, se foram piores, não devem aparecer, não é verdade?! Vamos lá então:
Constantina – Haveno

O que é: Constantina é uma banda de Minas Gerais que começou em 2003, sua formação é André Veloso (teclados e sintetizadores), Bruno Nunes (guitarra), Daniel Nunes (bateria), Gustavo Gazzola (guitarra), Lucas Morais (trompete), Thiago Vieira (baixo) e Túlio Castanheira (vibrafone e percussão).
Porque ouvir: Depois de 3 discos de estúdio, seguindo uma estética postrock e minimalista, a banda misturou elementos eletrônicos e foi mais fundo nas raízes da música brasileira, trazendo uma sonoridade rica em ritmos e no instrumental. Haveno é talvez o melhor disco da década que esses rapazes cometeram.
ruído/mm – introdução à cortina do sótão

O que é: A ruído é uma banda curitibana que lançou seu primeiro trabalho em 2003, e faz parte da cena da capital paranaense, quiçá do mundo.
Porque ouvir: O terceiro disco da banda é um petardo, recheado de elementos de postrock indo até ao western spaguetti de Ennio Morricone. Se quando o David Byrne certa vez pegou um disco dos caras na mão e falou que nunca tinha ouvido e o entrevistador disse que ele deveria, nesse caso, o senhor Byrne deveria levar os caras para excursionar com ele e mostrar ao mundo do que a música brasileira é capaz de produzir de melhor.
Músicas Intermináveis para Viagem – MIpV II

O que é: Laura L é a responsável pelas composições e pelo projeto do MIpV. Depois de um cultuado disco com guitarra e bateria (sem vocais) e que nada tem de similar com The White Stripes, a guria deu um tempo do Brasil e foi para Berlim.
Porque ouvir: Se no primeiro disco o batizado triprock de Laura fazia uma viagem cheia de guitarras certeiras com músicas que poderiam ser trilhas sonoras, ou então que ao menos fariam qualquer bom conhecedor de música balançar a cabeça com suas melodias do começo ao fim do bolachão. Este segundo disco se não é tão bom quanto o primeiro, é seguramente outro bolachão que me fez vibrar por ter esperado alguns anos para o lançamento, sem nenhuma decepção.
Connan Mockasin – Forever Dolphin Love

Que é: Connan Mockasin é um Neozelandês que em 2004 lançou seu primeiro trabalho. Artista plástico e músico, o cara surpreende. Difícil descrever o que ele faz, mas psicodélico é uma boa palavra para dar uma pista. Com uma voz estranha (até Bob Dylan ficaria envergonhado) o rapaz consegue fazer músicas tão absurdas e estranhas que são envolventes e cativam à primeira audição.
Porque ouvir: Este disco é uma compilação de um disco préviamente lançado, junto de músicas do mesmo álbum ao vivo. Ele entrou na minha lista de 2011 porque escutei muito e recomendo.
Radiohead – The King of Limbs

O que é: Radiohead é… bom, se não sabe, você não estava vivendo nesse mundo até agora.
Porque ouvir: Depois de trocentos discos de grande sucesso, poderíamos todos pensar que a banda do tio Yorke estava condenada ao esgotamento de seus cérebros criativos. E quando ninguém imaginava, eles fazem um disco com elementos eletrônicos que remetem diretamente ao que foi um dos álbuns mais enigmáticos da história do rock depois de Ummagumma do Pink Floyd, o chamado Kid A. Mas não é só isso, a banda olhou para frente e seguiu conforme o que eles acreditavam. Isso talvez dê mais sentido ao disco que depois da terceira ou quarta audição, você começa a perceber a beleza das canções. Uma das mais belas é Lotus Flower, que apesar do video com milhões de acessos e outro milhão de versões tirando sarro da dancinha estranha do tio Yorke, é uma bela e delicada canção, com uma letra linda e que dá uma sensação dúbia de querer dançar e ao mesmo tempo parar para ouví-la.
Cassim & Barbaria – Cassim & Barbaria II

O que é: É o que acontece quando um bando de malucos extremamente afiados e talentosos fazem um som pro mundo ouvir.
Porque ouvir: Conheço o trabalho dos caras há algum tempo e tenho eles como mestres. Como tive a oportunidade de ver muitos shows, o que me impressiona a cada vez que os vejo é que eles tocam as mesmas músicas sempre de forma diferente. Talvez isso no disco não fique evidente, mas o disco é uma pérola da atualidade que já nasceu bolachão.
Chad VanGaalen – Your Tan Looks Supernatural

O que é: O canadense Chad VanGaalen além de ser músico, é desenhista e animador. Estreou em 2004 com o disco Infiniheart. O som que o rapaz faz é puxado para o folk, mas há elementos eletrônicos e ritmos diferentes.
Porque escutar: Your Tan Looks Supernatural é um EP feito do último álbum lançado em 2010. Distribuido no BandCamp por 5 dólares canadenses, o lucro gerado foi arrecadado e destinado para a reconstrução no Japão, depois do terremoro seguido de tsunami, em março de 2011. Talvez não seja o melhor trabalho dele, mas serve para conhecer um pouco da discografia genial.
Moji Moji – N

O que é: Lucas Page é um músico e sound designer de Adrogue, província de Buenos Aires, Argentina. Como Moji Moji, Page lançou um Ep intitulado Detroit de le Maire. Em 2011 lançou N, o disco que falo aqui.
Porque escutar: Inspirado em postrock, shoegaze, pop e ambient music, o disco é rico em sonoridades diferentes. Com ótimas nuances, o disco é bom para escutar com um fone de ouvido enquanto se escreve, desenha ou faz alguma atividade lúdica.
Burial – Street Halo EP

O que é: William Bevan é músico nascido em Londres, Inglaterra. Seu primeiro lançamento foi em 2005. Com construções em softwares básicos de edição de música, seu trabalho tem ritmos não convencionais.
Porque escutar: Não só pelo fato de ter trabalhado ao lado de Thom Yorke em algumas composições, mas por seu trabalho ser algo etéreo e ao mesmo tempo dançante, porém cerebral. Escutando você presta atenção aos detalhes. Gostei muito do trabalho e achei um dos melhores lançamentos de 2011.
Burial + Four Tet + Thom Yorke – Ego/Mirror

O que é: Burial, como já disse antes, é o alter ego de William Bevan. Four Tet é Kieran Hebden e Thom Yorke é o cara da dança freak de Lotus Flower.
Porque ouvir: Os 3 trabalharam juntos e lançaram este EP com 2 músicas. Grande trabalho para quem gosta de dubstep.
Thurston Moore – Demolished Thoughts

O que é: Quem nunca dançou dirty boots em festinhas apertadas de garagens sujas, segurando cerveja numa mão e cigarro na outra, tentando balançar a cabeça no ritmo das guitarras do Sonic Youth não teve juventude, eu diria. Mas serei piedoso com a gurizada sub vinte.
Porque escutar: Como todo mundo o tio Thurston envelheceu junto da Juventude Sônica e criou belas canções para este disco, que já não é o primeiro nem o segundo disco solo. Para quem procura inovações sonoras, não escute este disco. Pule para o Burial, Four Tet ou o Flying Lotus. Mas se gosta de belas e singelas canções cantadas com a voz sussurrada do tio Thurston, esse é o disco. Uma coisa que aprendi com bandas com mais de 10 anos é não esperar muita inovação, mas tentar relaxar e curtir, pois quase sempre dá pra se surpreender. Foi o caso aqui!
Talvez muita gente diga: ei, mas que lista é essa que não teve a tia Charlotte Gansbourg, ou então o novo do The Black Keys, ou ainda o Beirut e tantos outros moderninhos de plantão?!? Mas aí eu explico, gosto muito dessa gente também, e não esqueci de nenhum deles quando estava escrevendo, mas a tia Charlotte fez um disco duplo que tem apenas duas músicas extremamente boas. The Black Keys tem outros discos bem melhores, e quando a maioria conhece Brothers e diz que é um discão, eu digo que Brothers é ótimo, mas gosto muito dos primeiros deles. E Beirut já deu, não é?! Esse disco do Beirut me pareceu para encher linguiça e para todo mundo não esquecer que eles existem, ou então contrato de gravadora. O tio Zack “Camisinha” acha que com aquele vozeirão ele faz qualquer coisa e segura bem a onda, mas a coisa não é bem assim e eu achava que ele faria um disco com mais e mais instrumentos chegando a uma orquestra quase completa, tocando balkan music, o que seria lindo, mas infelizmente não aconteceu.
Perdõem os puristas e extremistas da música, mas essa é minha lista. Tão pessoal e sincera que nem coloquei nenhum dos álbuns de minha própria banda. Mas em meu melhor momento marqueteiro deixo a dica para escutar também a The Baltucz Band, que lançou 3 discos e 3 EPs em 2011.
Nota do autor: Depois da palhaçada do FBI em fechar o megaupload por motivos de copyright, não quis incluir aqui os links para os respectivos discos, vão achar que sou um hacker destruidor de sites do sistema e um terrorista da indústria musical. Mas é muito fácil procurar e achar cada um deles para baixar, use a cabeça, digo, o google e boa audição.











ótima lista, sr dudas! arrisco dizer que vários dos meus favoritos de 2011 estão também aí (por que será?!). só não concordo muito com a tal história do beirut, mesmo achando que esse último disco não é uma pérola como os anteriores. zack e sua banda são sempre bem-vindos lá em casa! ;P beijos
obrigado, senhorita paulie! sabe como é, me decepcionei com o disco do tio zack. é como eu disse no post, achava que ele iria fazer um disco com mais e mais instrumentos, enfim. :) beijos!